quarta-feira, 17 de outubro de 2007

It's Evolution, Baby...


Salut!!!

Antes de tudo, peço perdão pela ausência nos últimos dias. Por incrível que pareça, minha mente resolveu entrar em férias sem me avisar. Uma situação até normal, haja vista que sou falível como qualquer mortal que agora me lê (ainda bem, pois a perfeição me levaria ao... nem quero saber onde ela poderia me levar.)

E o lado pensante me deixou na mão justamente no momento em que eu retornara à minha saga torresmianaauvin. Senti-me um pouco frustrado, duplamente. Primeiro pelo fato já citado e segundo por não conseguir pensar em algo relevante para escrever. Mas, de pronto, alguém diria: “Mas as duas frustrações não seriam a mesma coisa?”. Digo que não, meu caro leitor!!! A primeira é causa e a segunda a consequência, desesperadora, que maquina e corrói a cada instante que passa, aumentando o abismo cerebral do vazio.

Mas, aos poucos, as coisas vão se acertando, o desespero inicial dá lugar a uma aceitação de que não podemos tentar fazer o que não nos é possível em determinado instante. Deixei-me levar pela situação, pelo continuismo do tempo. E, assim, a sensação de criatividade inascível transmuda para uma fruição, sustentada principalmente por fatos novos que surgiram nos dias de ausência aqui.

Novamente o leitor me encurralaria, reafirmando o desejo de saber o por quê de sempre querer falar sobre coisas novas se eu tenho já assunto de sobra pra divulgar. “Só para citar dois exemplos, Lúcio: O Museu do Louvre e a viagem à Paris!!!”, diriam vocês... Concordo, e os mesmos já estão no forno sendo preparados. Agora, não posso tirá-los antes do tempo pois corro o risco de servir algo a vocês sem estar perfeito, com a textura correta e deliciosamente degustável. Imperdoável para quem tem o desejo de se tornar um Chef de Cuisine um dia...

No mais, Geraes...

Cada dia está sendo vivido com muita paciência e calculismo. Já me arrisco em dizer que transcendi o limiar da resistência mental humana. Isso porque tenho a plena certeza de que, agora, encontro-me resiliente (estimado leitor, caso ainda não conheça o significado do termo Resiliência, faça-me um favor ou melhor, faça um favor a si próprio, investigue o assunto. Você pensará e agirá de forma diferente após entender esse conceito e fazer uma análise pessoal).

O referido tema foi-me apresentado logo após minha chegada na França e foi indiscutivelmente fundamental para meu crescimento nesses últimos meses, em todos os aspectos. As virtudes continuam intactas e revigoradas; outras mais surgiram. O estilo de percepção de como encarar os desafios que o entorno me impõe foi reformulado. E a forma de projetar perspectivas futuras diante das adversidades presentes é que foi meu principal aprendizado.





Termino aqui esse post não com um conselho, mas uma afirmativa. Você não precisa aceitá-la, mas entenderá o recado perfeitamente: “O problema não é o problema. O problema é sua atitude com relação ao problema”

Minha mente tirou férias... tsc, tsc, tsc...

Como eu não resisto mesmo, um pouco de filantropia não vai me fazer mal. O link a seguir é da página do Google sobre Resiliência. Só dei o empurrão. Agora vocês deverão caminhar com as próprias pernas...

http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&q=resili%C3%AAncia&btnG=Pesquisar&meta=cr%3DcountryBR

Um abraço a todos...

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Hôtel K & Restaurant l'Arnsbourg...

Aqui vai um vídeo para mostrar-lhes, mesmo que superficialmente, o local em que trabalho. É apenas uma introdução, pois mais vídeos virão posteriormente. Portanto, desfrutem um pouco de como é viver num "spa de luxo" na França (morando na França, rodeado de uma beleza natural indescritível e ainda por cima recebendo em Euros pra isso!!! hehehe...).

P.S.: Perdoem-me a sinteticidade do texto, mas é que o vídeo fala por si mesmo.

Abraço a todos...

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Multiculturalismo e Gastronomia

Ervin, Yoshiko, Kasuma, Eu, Mariana e Mathieu. Um holandês, dois japoneses, dois brasileiros e um francês. Todos sentados à mesa, dividindo experiências e ampliando conhecimentos. Como exemplo de Multiculturalismo já poderia, tranquilamente, parar por aqui. Mas posso ir além...

Além do francês e do inglês como línguas comuns a todos os presentes, temos português, japonês, holandês e alemão. Um “prato” cheio para se perder em meio a tantos idiomas num único ambiente. Todos falando ao mesmo tempo significa diversão extra.

O desenrolar do evento:

Subsídios para diálogos egoisticamente transversais – Após os cumprimentos formais (em francês, é claro!!!) e dos aperitivos servidos (diga-se de passagem, um Pinot Gris propício para começar a noite), Eu e Mariana já nos encontramos conversando em português, enquanto que Yoshiko e Kasuma entoam ideogramas em japonês. No outro canto, Ervin e Mathieu fazem um ensaio, em alemão, sobre um assunto qualquer. O princípio, como nos é, na maioria das vezes, desconhecido, força-nos a não nos expormos com tanta facilidade. À medida que o ambiente o acolhe e/ou que você mesmo se esforça para que isso aconteça, a perspectiva muda e, como dizem os franceses, “ça c’est un bordel!!!”. O bom disso tudo é que, como o ambiente era favorável (e quando digo ambiente englobo não somente o espaço físico, mas as personalidades presentes naquele momento), esse “début” não persistiu por mais que uns 3 minutos...

Afirmação do Multiculturalismo por força da Transversalidade – Quase que inconscientemente, a promiscuidade poliglota agora é real e cresce com tal força exponencial que o ápice é enquadrado pela seguinte situação: Yoshiko ensina japonês para Mariana. Mathieu, ao lado, se diverte com a situação e faz comentários em alemão. Kasuma prepara seus sushis com uma rapidez compatível a um ninja em combate e Eu converso com ele, em francês, sobre os ingredientes e modo de preparo dos pratos japoneses. Ervin, que momentaneamente não participa, “cutuca-me” com os pés e me faz uma pergunta em inglês. Respondo-o em francês, ao mesmo tempo que ouço Kasuma falando em japonês com Yoshiko, para que ela fizesse algo para ele. Mathieu, mais uma vez, se diverte com a sonoridade da língua japonesa e, verborragicamente, tenta imitá-los.

Pra finalizar, em determinado momento, Mariana me solta uma frase em japonês............. Fiquei mudo uns 3 segundos, tentando entender a mensagem que havia me passado e pensando em qual língua eu deveria conversar com ela e o quê responder!!!

Perdi o fôlego...

Só para ilustrar:

Português: Eu me chamo Lucio
Francês: Je m’appelle Lucio
Japonês: 私の名前はLucioである
Alemão: Mein Name ist Lucio
Holandês: Mijn naam is Lucio
Inglês: My name is Lucio

E assim caminha a humanidade...

domingo, 30 de setembro de 2007

RECEITA DO DIA: EU!!!

Ingredientes:
  • 151 dias num país diferente, com uma cultura diferente, com uma língua diferente, com relacionamentos interpessoais diferentes... (e por aí vai)
  • 60h semanais de trabalho duro, mas gratificante, por me proporcionar, futuramente, o diferencial no mercado de trabalho.
  • Imensuráveis horas de pensamentos na família, nos amigos, nas coisas boas da minha rotina no Brasil. (nesse caso eu minto, pois basta excluir as horas diárias em que eu durmo pra se ter o valor exato das horas em que penso sobre esses assuntos: 24h por dia menos 8h de sono, sobram 16h por dia, vezes 151 dias, já são 2416h).
  • 15 kilos a menos pra carregar pra todo lado. O ponto negativo disso foi um déficit na minha balança (não podia perder o trocadilho, né!!!) financeira pois tive que comprar roupas novas.
  • 8 comprimidos de Neosaldina para acabar com a dor de cabeça no primeiro mês em que fiquei sem internet e tentava, a todo custo, resolver o problema (daí a explicação de minha ausência nas postagens em grande parte desse perído sem “posts”).
  • Apenas 1 prato de sobremesa e 1 prato de refeição quebrados na cozinha, em 5 meses de trabalho; o primeiro em horário normal de trabalho e o último durante o fim de semana passado, quando fizemos um jantar japonês, eu, Mariana, Mathieu – estagiário francês, Ervin – estagiário holandês, Yoshiko – garçonete japonesa, e Kasuma – o novo estagiário japonês (assunto que será postado posteriormente).
  • Por volta de 10 vezes já preparei o almoço de toda a equipe que trabalha no restaurante e no hotel, com destaque para o “meu arroz”, soltinho (faço um agradecimento aqui, em público, à minha avó Aparecida, à minha mãe Rogéria, à minha tia Glaucia e à minha irmã Emmanuelle, por me ensinarem como se faz um verdadeiro arroz “soltinho”). É isso mesmo, vivendo e aprendendo!!! Até a pouco tempo atrás, meu arroz era um desastre. Apesar de aqui o pessoal curtir mais o arroz tipo “japonês”, grudento e úmido (e aí faço uma homenagem ao meu pai, José Lúcio, que adora o arroz feito assim), quando fiz arroz não sobrou nem pra contar estórias...
  • 42 máquinas de roupas lavadas e 105 uniformes devidamente bem passados (uma boa dica pras solteiras de plantão, hein!!!).
  • Um punhado de Javalis vistos pelas estradas próximas (qualquer dia eu mato um deles e faço um churrasco pra galera. Ahh, se faço!!!).
  • Aproximadamente 302 cafés espressos simples (é com “s” mesmo, que significa “sob pressão”) e uns 100 duplos, pra “segurar a onda” de ter que acordar às 5:30h da manhã e trabalhar até 4 da tarde...
  • Uns 5 kilos de chocolates, frutas e sobremesas roubadas da cozinha pra Mariana. Isso foi diminuindo gradativamente a partir do momento em que Mariana achou que estava engordando. Coisas de mulher mesmo, pois continua maravilhosamente magra (colocarei fotos dela posteriormente).
  • 3 vezes mais vocabulário cotidiano. 5 vezes mais vocabulário técnico gastronômico. 17.486 vezes mais desenvoltura, afinidade e liberdade com toda a equipe de trabalho do restaurante (esse último dado também me causa certos problemas pois aqui é um tal de “passar a mão na bunda” um do outro que, quando as duas principais pessoas que fazem isso com mais frequência vão chegando perto, todo mundo em volta já fica de sobreaviso, pra não “tomar uma por trás”... hehehe... no último dia de trabalho vou tentar passar a mão na bunda do Chef Klein!!! HAUHAUAHUHAUAHUAHA...)
  • Alguns Euros “bem gastos” na minha viagem de 10 dias por Paris (será criado um “post” à parte para narrar essa minha aventura).

Modo de Preparo:

  • Misture tudo isso descrito acima.
  • Acrescente 122 dias que ainda me faltam pra completar essa “epopéia francesa”.
  • Despeje tudo em uma mala grande (máximo 32 kilos pois senão pagarei sobrepeso no chek-in do aeroporto).
  • Despache para o Brasil dia 30 de Janeiro de 2008, se possível, entre 35 e 40 graus de temperatura porque aqui já começou a esfriar e deve nevar em Dezembro.

Esse prato serve qualquer quantidade de pessoas que ainda insistem em acompanhar meus relatos, meus devaneios, minhas aventuras e minhas esperanças.

Pode ser servido a qualquer hora do dia, até o fim de Janeiro.


Bon Appétit bien sur!!!!!!!!!!

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Setembro, 30...


Para que todos vocês saibam a verdade, não falarei mais que o necessário.


Em breve, tão breve, como esse momento que já passou...