quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Anjos e Demônios...


Segunda-feira passada, último dia de trabalho antes da semana de férias aqui em Arnsbourg, também foi dia de despedida de Rebecca. Com apenas 17 anos, essa menina já tem experiência de sobra como garçonete, ao ponto de se dar ao luxo de deixar o Restaurant l'Arnsbourg em busca de novos desafios...

E não podíamos deixar a data passar em branco!!! Resolvemos fazer uma festa de despedida pra "pupila" da turma. As imagens à seguir descrevem (quase) tudo que aconteceu na festa!!! hehehe... Divirtam-se...

Comprei um Red Label por 11 Euros, quatro meses atrás, e esperava por uma oportunidade como essa para, digamos, "brincar" um pouquinho e sair da realidade... Quando cheguei na casa do pessoal, o "arsenal" já dava mostras de que a noite ia ser longa!!!


Início de festa é igual em qualquer lugar do mundo e com quaisquer pessoas... O pessoal fica um pouco inibido, sem fazer muitos gestos ou movimentos que atraiam a atenção para você. Fotos em grupo são tiradas e mostram a iminência de almas puras que cairão no pecado do àlcool sem nenhum pudor. Nem "Jesus" consegue salvar esse momento!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkk...



Kasuma, Erwin, Eu, Sarreguemines, Endo, Noemi, Mariana, Löic e Rebecca.

É por isso que adoro fotografia. Ela congela um instante que pode passar desapercebido na continuidade do tempo. Ela é a droga que usamos pra saciar o vício e matar a saudade do que foi esquecido.

À medida que o tempo passa, desenvolturas se proliferam absurdamente.


Armand, Endo, Mariana, Kasuma, Eu, Geremy e Lucas.

À medida que o tempo passa...


Erwin(atrás da Mariana), Eu e Endo. Mariana, Lucas e Kasuma. Geremy e Armand.

Mas é isso. Divertimo-nos bastante, bebemos bastante e curtimos muito os últimos momentos ao lado de Rebecca. Ela, com certeza, fará falta nesse inverno...

Anjo ou demônio? Segredo...


E antes que pensem o óbvio, foi apenas um "bisou" de despedida... Mesmo porque Rebecca com 17 e eu prestes a fazer 34 (oops, é o dobro!!!). Tenho idade pra ser pai dela!!!

E eu também tenho que manter firme minha abstinência aqui na França... 194 dias sem...

Eu, anjo? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk...


Bonne Chance, Rebecca!!!

RECEITAS 04

031 – MERINGUE POUR ANANAS

300g blanc d’oeufs
500g sucre semoule

Cuire le sucre et un peu d’eau à 121C
Faire un meringue avec le blanc + sucre


032 – MOELLEUSE AU CHOCOLAT

250g chocolat couverture 70%
175g beurre
125g sucre glace
75g farine
5 oeufs

Faire fondre le chocolat et le beurre
Fouetter oeufs + sucre glace
Ajouter la farine délicatement puis le mélange chocolat + beurre
Cuire à 200C pour 8 min dans des moules de 7cm de diamètre


033 – MOUSSE CHOCOLAT BLANC

600g chocolat blanc
300g crème
600g crème fouettée

Faire fondre le chocolat et la crème (attention à la temperature du chocolat)
Ajouter la crème fouettée


034 – MOUSSE CHOCOLAT NOIRE PH

810g sucre
240g eau
525g d’oeuf entier
630g jaune d’oeufs
1,8Kg chocolat 70% fondu
2,64kg crème fouettée

Sirop de sucre + eau 118C
Sabayon sur chocolat puis crème fouettée


035 – MOUSSE MASCARPONE ET ROSE

1L crème
200g sucre semoule
500g mascarpone
16g gélatine
300g liqueur de rose

Monter la crème et le sucre
Faire fonder la gélatine dans 1/3 de liqueur
Faire le mélange


036 – MOUSSE PARMESAN (à faire x2 pour plaque 40-60cm)

1,5L crème
375g parmesan
12 feuilles gélatine (24g)
PM sel

Mettre au thermomix vitesse 5, 80C pour 2min30sec
Ajouter la gélatine et encore vitesse 5, 80C pour 2min30sec
Refroidir et fouetter au batteur


037 – MOUSSE PASSION

1Kg pulpe passion
1Kg crème
850g sucre semoule
20 jaunes d’oeufs
28g gélatine feuilles

Confectioner une crème anglaise
Faire fonder la gélatine et mettre en siphon


038 – MOUSSE PASTIS

2L crème
1L lait
500g pastis
14g gélatine

Chauffer ¼L pastis
Fair fondre la gélatine
Mélanger tout ensemble
Syphon
Utilisation direct


039 – MOUSSE PICON

1L picon
50cL crème
12 feuilles (24g) gélatine

Tremper gélatine puis faire fonder dans ¼L picon tiède
Mélanger le tout
Mettre en syphon et laisser reposer un jour


040 – PARFAIT GLACÉ CORAMBAR(CARAMBAR)

380g corambar
150g crème tiède
220g blanc d’oeufs
200g sucre semoule
425g crème fouettée

Fondre au micro-ondes
Ajouter la crème fouettée puis les blancs monté avec le sucre

sábado, 20 de outubro de 2007

Lucas, o Grande.


Hoje darei continuidade ao tema “Personagens que habitam meu cotidiano momentâneo”. Na verdade o tema não existe e o nome foi criado nesse exato momento. Mas isso é irrelevante. O que realmente importam são as pessoas, eu e vocês...

Pois bem, mais um para a galeria do restaurante l’Arnsbourg. Lucas tem 17 anos, é austríaco e estagiará por um ano aqui. No quesito idioma, ficamos na mesma pois até onde sei na Áustria se fala alemão. E, a língua alemã, já estou cansado de ouvir diariamente. Falar, só Danke(obrigado) e Guten Tag(bom dia). Seus aproximadamente 1,80m estão espalhados por uma infinidade de centímetros quadrados. Sua grandiosidade é maior no trato com as pessoas. Uma criança ainda e, como todas elas, com um coração bom. Sempre sorridente, mesmo quando trabalha em seu ritmo slowmotioniano. Talvez por ser novo, talvez por ter chegado agora... não sei. Só tenho duas certezas sobre ele: após um ano de estágio em Arnsbourg ele se tornará mais ágil e cumprirá sua meta em aprender mais sobre o mundo gastronômico.

Seu pai é Markus Mraz, Chef de Cuisine e proprietário do Restaurante Mraz & Sohn, em Viena, na Áustria. Para saber mais sobre o restaurante:


A outra certeza é que após esse mesmo ano, ele continuará esbanjando sua robustez , pois dá gosto em ver o jovem rapaz sentar-se à mesa para se alimentar e sumir por detrás do prato... Ave, Lucas, o Grande...

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Wine & Fooding Party

Segunda-feira, 15 de Outubro de 2007

“...acordei por volta de 11 da manhã. Não fosse o desvio padrão de 15 minutos pra mais ou pra menos, diria que acordo pontualmente no momento em que minhas costas começam a doer, fruto de um colchão de molas que só os franceses conseguem usar”.

Toda segunda-feira é igual. Levanto-me, desço e tomo uma ducha. Subo e dou uma enrolada até 11:30h que é o momento de almoçar. Depois do almoço retorno ao meu quarto e invento situações, afazeres, pesquisas, leituras, qualquer coisa para ocupar minha mente, durante todo o dia. Isso porque o restaurante ainda está funcionando na segunda, o que limita consideravelmente meu trânsito no mesmo. É claro que não serei exageradamente louco para afirmar que vivo segundo a Teoria da Caverna de Platão. Mas posso muito bem dar um upgrade nessa teoria e dizer que habito uma caverna um pouco mais confortável, viável e tecnologicamente dizendo (na verdade, infinitamente mais, tudo). O restaurante fica no meio da floresta dos Vosges, eu não tenho carro, as duas cidadezinhas mais próximas ficam a 5 e 6km e, nos fins de semana, todos vão para suas casas, ficando aqui só eu, Mariana, Lucas, o estagiário austríaco e Kasuma, o estagiário japonês. É a velha rotina assombrando-me novamente, a cada dia, a cada segundo(a)...

Porém, essa segunda foi diferente. Como de hábito, a dor nas costas me despertou. De imediato disse bom dia pra ela e continuei deitado por mais ou menos uns dez minutos. O frio exterior cortava a fresta da janela e decrescia ainda mais a temperatura dentro do meu quarto (meu aquecedor insiste em não querer funcionar). Pensei comigo mesmo: “Ô ventim baum; pode vim qui tô dibaixo das cuberta!!!)... Desci para o banho e contribui para um aumento da conta de luz do Chef Klein em, pelo menos, uns 0,5%. Foram 20 minutos bem relaxados debaixo de 38 graus precisamente colocados. Já devidamente vestido e de barba feita, desci para almoçar: um Trançado de Peixes (filezinhos de salmão e peixe branco), Creme Azedo e Arroz Negro Selvagem, devidamente temperados. O repasto habitual de segunda transformara-se num ritual, verdadeiramente como devem ser todas as nossas refeições. Já no quarto, releguei a habitual internet e resolvi fazer a sesta...

Já são 15:30h e dou a última checada nos pertences que coloco na mochila. Uniforme, sapatos novos de cozinha que comprei (preciso impressionar o Chef), câmara fotográfica, ok...

Saio da cozinha e vejo Geremy, Pascal e Louis literalmente entupindo o carro do Chef Klein. Na mesma hora pensei na volta. Quando chegarmos, por volta da meia-noite, todo o pessoal da cozinha já partiu e apenas existirá em Arnsbourg eu e Geremy para descarregar tudo aquilo que, magicamente, foi acoplado dentro de uma Mercedes-Benz, classe M. Apesar de não estar ganhando nada para fazer a propaganda, coloco abaixo o link da dita-cuja, para os amantes de automóveis e para entenderem o meu desespero:

http://www.mercedes-benz.com.br/hotsite/classem/default.asp

Mas o dia é perfeito e nada me abala nesse instante. Termino de descer as escadas e participo do processo de colocar uma cozinha inteira dentro de um veículo.

A viagem até Strasbourg foi muito agradável (75km em 30 minutos só em lugares que possuem estradas asfaltadas de verdade!!! Ô, meu Brasil, são nessas horas que eu não sinto falta de você...). Apenas um comentário, en passant, sobre a ida: Num semáforo qualquer, em Hagueneau (uns 30km de Arnsbourg), quase promovemos um repas no meio do asfalto. Chef Klein, devaneando seu olhar pela paisagem do entorno, esqueceu-se de parar o carro no sinal. Faltando uns 20 metros para a inevitável colisão com o primeiro veículo parado, ele percebeu o devaneio e freou, tranquilamente, como se estivesse fazendo a montagem de um prato para ser servido ao Presidente da França... Numa sutileza que só os freios da Mercedes nova poderiam nos confortar... Foram 19 metros de frenagem suave, em contraponto a toda carga que veio de trás para cima de todos nós (eu estava no banco de trás e tomei um ligeiro encontrão de uma das estufas). Imediatamente, Chef klein muda de rádio, tirando qualquer coisa que tocava e que o deixara no estado citado, para passarmos a ouvir (e que martírio foi, viu!!!) um talk-show vespertino de sucesso entre os franceses, fazendo piadinhas e comentando sobre a Copa do Mundo de Rugby que acontece, atualmente, na França. Nunca amei tanto uma estrada francesa em ótimas condições e um estilo de dirigir docemente agressivo do Chef, pois chegamos rápido em Strasbourg e fiquei livre daquela estação de rádio.

Voilá!!!!!! Strasbourg... Civilização... Tráfego... Pessoas diferentes!!!!!!! Acho que preciso rever meu conceito sobre minha caverna...



Chegamos ao L'IMPRO TNS - LE CAFÉ DU TNS. TNS é o Théâtre National de Strasbourg, um dos três locais que abrigariam o evento do dia : Wine & Fooding Party – AOC Corbières*.

Para saber mais sobre o evento Wine & Fooding Party...

http://lefooding.com/evenements/2007/wine-and-fooding-party-strasourg.htm

*AOC Corbières – Vinho com Apelação de Origem Controlada, proveniente da região de Corbières (Sul da França).

Para saber mais sobre AOC :

http://guiadasemana.uol.com.br/noticias.asp?ID=2&cd_news=2335

http://www.ambafrance.org.br/abr/imagesdelafrance/vinhos.htm

Para saber sobre os AOC – Corbières :

http://www.aoc-corbieres.com/

O evento começaria no TNS, às 19h, onde apresentariamos aos convidados os dois pratos do Chef Klein : Terrine de Foie Gras et Absinthe et Chutney aux Figues ; Cappuccino de Pommes de Terre et Munster. Depois os convidados iriam para os dois locais seguintes, degustar pratos dos Chef’s Christine Ferber e Eric Girardin.

Para saber mais sobre Christine Ferber...

http://www.google.com/search?hl=pt-BR&q=Christine+Ferber&lr=

http://francoissimon.typepad.fr/simonsays/2007/10/christine-ferbe.html

Para saber mais sobre Eric Girardin, proprietário do Restaurante La Casserole, em Strasbourg...

http://carottescuites.canalblog.com/archives/2007/04/20/4485375.html



Geremy, Chef Klein e Eu... Les Trois Mosquetières



400 convidados significam 400 terrines e 400 cappuccinos. Chef Klein encarregou-se de servir os cappuccinos (era só usar as 10 garrafas-bomba de ar comprimido 400 vezes e pronto!!! Mesmo para um Chef, isso não é nada!!!) enquanto que Geremy servia as terrines, ao mesmo tempo em que preparava as toasts que acompanhavam as terrines (era só falar Bonsoir Madame, bonsoir monsieur, esticar o braço, entregar o prato e virar e colocar torradinhas no forno pra esquentar; tranquilo!!!). Portanto, quem ficou na cozinha, montando 400 pratos de terrines? Bien Sûre!!! Moi-même...


Pela foto vocês percebem que são várias etapas para ficar pronto o prato. Primeiro coloca-se a terrine no centro, depois o chutney de figos do lado inferior direito. Após isso coloca-se o enfeite sobre a terrine (oops, esqueci o nome da erva). Terminado tudo isso, leva-se a montagem pro freezer para refrigerar todos os três. Depois retira-se do freezer, acrescenta o Yaourt Crispy (umas pedrinhas brancas de iogurte). Detalhe, só cabiam 64 pratos no freezer. Portanto, agora tínhamos um problema sério para resolver. E faltava apenas uma hora pro evento começar. A saída foi deixar refrigerando os primeiros 64 pratos e já começar a montar o que coubesse sobre as duas bancadas disponíveis na micro-nano-cozinha do café. Consegui montar 138 pratos até as 7 da noite.

Parei para descansar um minuto e fui surpreendido pelo Chef Klein, que adentrou à minha cozinha sem pedir licença ou mesmo bater à porta!!! “Chef Lutcho, une bière pour vous...” Hahahahahahaha... depois disso, como falamos na gíria futebolística: entrei com bola e tudo e corri pro abraço!!!



Das 19 às 21h, 400 terrines bem montadas foram consumidas num piscar de olhos, assim como as fiz...

Ao todo, 3 long-necks de Leffe (cerveja belga com 6,5% álcool) e 4 taças de Pêcheur (cerveja alsaciana) contribuiram para minha desenvoltura e eficácia no trabalho. Geremy também foi agraciado com algumas cervejas. Depois é que fomos descobrir o motivo de tanta benevolência do Chef Klein. Ele também adora degustar uma loira e a fez com bastante veemência após o evento. Nada mais que 3 taças em 10 minutos no tempo em que eu e Geremy gastamos para desmontar tudo e colocar no carro.



Num último instante, eu e Geremy, satisfeitos pelo trabalho bem cumprido; e um pouco cansados também. Mas se a estória terminasse por aqui, tudo bem...



Eis que Chef Klein resolve dar uma passadinha em um dos dois outros pontos do evento, onde era a Chef Christine Ferber quem estava oferecendo os pratos para degustação. Aí, meu caro leitor, eu e Geremy nos tornamos os dois maiores enófilos do mundo. Apesar de haver apenas dois vinhos tintos harmonizando com os pratos da Chef Christine, provamos umas 5 vezes cada um deles, no mínimo...

A volta pra casa foi mais rápida ainda, devido ao estado de alegria do passageiro que vos relata. O grau alcóolico desapareceu quando chegamos ao restaurante e eu lembrei da cozinha inteira que teria que descarregar do carro...

Fui dormir à 1 da manhã, cansado, mas satisfeito. A rotina havia me dado folga. Mas espero que ela continue para que dias como esse voltem a acontecer...

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

It's Evolution, Baby...


Salut!!!

Antes de tudo, peço perdão pela ausência nos últimos dias. Por incrível que pareça, minha mente resolveu entrar em férias sem me avisar. Uma situação até normal, haja vista que sou falível como qualquer mortal que agora me lê (ainda bem, pois a perfeição me levaria ao... nem quero saber onde ela poderia me levar.)

E o lado pensante me deixou na mão justamente no momento em que eu retornara à minha saga torresmianaauvin. Senti-me um pouco frustrado, duplamente. Primeiro pelo fato já citado e segundo por não conseguir pensar em algo relevante para escrever. Mas, de pronto, alguém diria: “Mas as duas frustrações não seriam a mesma coisa?”. Digo que não, meu caro leitor!!! A primeira é causa e a segunda a consequência, desesperadora, que maquina e corrói a cada instante que passa, aumentando o abismo cerebral do vazio.

Mas, aos poucos, as coisas vão se acertando, o desespero inicial dá lugar a uma aceitação de que não podemos tentar fazer o que não nos é possível em determinado instante. Deixei-me levar pela situação, pelo continuismo do tempo. E, assim, a sensação de criatividade inascível transmuda para uma fruição, sustentada principalmente por fatos novos que surgiram nos dias de ausência aqui.

Novamente o leitor me encurralaria, reafirmando o desejo de saber o por quê de sempre querer falar sobre coisas novas se eu tenho já assunto de sobra pra divulgar. “Só para citar dois exemplos, Lúcio: O Museu do Louvre e a viagem à Paris!!!”, diriam vocês... Concordo, e os mesmos já estão no forno sendo preparados. Agora, não posso tirá-los antes do tempo pois corro o risco de servir algo a vocês sem estar perfeito, com a textura correta e deliciosamente degustável. Imperdoável para quem tem o desejo de se tornar um Chef de Cuisine um dia...

No mais, Geraes...

Cada dia está sendo vivido com muita paciência e calculismo. Já me arrisco em dizer que transcendi o limiar da resistência mental humana. Isso porque tenho a plena certeza de que, agora, encontro-me resiliente (estimado leitor, caso ainda não conheça o significado do termo Resiliência, faça-me um favor ou melhor, faça um favor a si próprio, investigue o assunto. Você pensará e agirá de forma diferente após entender esse conceito e fazer uma análise pessoal).

O referido tema foi-me apresentado logo após minha chegada na França e foi indiscutivelmente fundamental para meu crescimento nesses últimos meses, em todos os aspectos. As virtudes continuam intactas e revigoradas; outras mais surgiram. O estilo de percepção de como encarar os desafios que o entorno me impõe foi reformulado. E a forma de projetar perspectivas futuras diante das adversidades presentes é que foi meu principal aprendizado.





Termino aqui esse post não com um conselho, mas uma afirmativa. Você não precisa aceitá-la, mas entenderá o recado perfeitamente: “O problema não é o problema. O problema é sua atitude com relação ao problema”

Minha mente tirou férias... tsc, tsc, tsc...

Como eu não resisto mesmo, um pouco de filantropia não vai me fazer mal. O link a seguir é da página do Google sobre Resiliência. Só dei o empurrão. Agora vocês deverão caminhar com as próprias pernas...

http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&q=resili%C3%AAncia&btnG=Pesquisar&meta=cr%3DcountryBR

Um abraço a todos...

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Hôtel K & Restaurant l'Arnsbourg...

Aqui vai um vídeo para mostrar-lhes, mesmo que superficialmente, o local em que trabalho. É apenas uma introdução, pois mais vídeos virão posteriormente. Portanto, desfrutem um pouco de como é viver num "spa de luxo" na França (morando na França, rodeado de uma beleza natural indescritível e ainda por cima recebendo em Euros pra isso!!! hehehe...).

P.S.: Perdoem-me a sinteticidade do texto, mas é que o vídeo fala por si mesmo.

Abraço a todos...

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Multiculturalismo e Gastronomia

Ervin, Yoshiko, Kasuma, Eu, Mariana e Mathieu. Um holandês, dois japoneses, dois brasileiros e um francês. Todos sentados à mesa, dividindo experiências e ampliando conhecimentos. Como exemplo de Multiculturalismo já poderia, tranquilamente, parar por aqui. Mas posso ir além...

Além do francês e do inglês como línguas comuns a todos os presentes, temos português, japonês, holandês e alemão. Um “prato” cheio para se perder em meio a tantos idiomas num único ambiente. Todos falando ao mesmo tempo significa diversão extra.

O desenrolar do evento:

Subsídios para diálogos egoisticamente transversais – Após os cumprimentos formais (em francês, é claro!!!) e dos aperitivos servidos (diga-se de passagem, um Pinot Gris propício para começar a noite), Eu e Mariana já nos encontramos conversando em português, enquanto que Yoshiko e Kasuma entoam ideogramas em japonês. No outro canto, Ervin e Mathieu fazem um ensaio, em alemão, sobre um assunto qualquer. O princípio, como nos é, na maioria das vezes, desconhecido, força-nos a não nos expormos com tanta facilidade. À medida que o ambiente o acolhe e/ou que você mesmo se esforça para que isso aconteça, a perspectiva muda e, como dizem os franceses, “ça c’est un bordel!!!”. O bom disso tudo é que, como o ambiente era favorável (e quando digo ambiente englobo não somente o espaço físico, mas as personalidades presentes naquele momento), esse “début” não persistiu por mais que uns 3 minutos...

Afirmação do Multiculturalismo por força da Transversalidade – Quase que inconscientemente, a promiscuidade poliglota agora é real e cresce com tal força exponencial que o ápice é enquadrado pela seguinte situação: Yoshiko ensina japonês para Mariana. Mathieu, ao lado, se diverte com a situação e faz comentários em alemão. Kasuma prepara seus sushis com uma rapidez compatível a um ninja em combate e Eu converso com ele, em francês, sobre os ingredientes e modo de preparo dos pratos japoneses. Ervin, que momentaneamente não participa, “cutuca-me” com os pés e me faz uma pergunta em inglês. Respondo-o em francês, ao mesmo tempo que ouço Kasuma falando em japonês com Yoshiko, para que ela fizesse algo para ele. Mathieu, mais uma vez, se diverte com a sonoridade da língua japonesa e, verborragicamente, tenta imitá-los.

Pra finalizar, em determinado momento, Mariana me solta uma frase em japonês............. Fiquei mudo uns 3 segundos, tentando entender a mensagem que havia me passado e pensando em qual língua eu deveria conversar com ela e o quê responder!!!

Perdi o fôlego...

Só para ilustrar:

Português: Eu me chamo Lucio
Francês: Je m’appelle Lucio
Japonês: 私の名前はLucioである
Alemão: Mein Name ist Lucio
Holandês: Mijn naam is Lucio
Inglês: My name is Lucio

E assim caminha a humanidade...

domingo, 30 de setembro de 2007

RECEITA DO DIA: EU!!!

Ingredientes:
  • 151 dias num país diferente, com uma cultura diferente, com uma língua diferente, com relacionamentos interpessoais diferentes... (e por aí vai)
  • 60h semanais de trabalho duro, mas gratificante, por me proporcionar, futuramente, o diferencial no mercado de trabalho.
  • Imensuráveis horas de pensamentos na família, nos amigos, nas coisas boas da minha rotina no Brasil. (nesse caso eu minto, pois basta excluir as horas diárias em que eu durmo pra se ter o valor exato das horas em que penso sobre esses assuntos: 24h por dia menos 8h de sono, sobram 16h por dia, vezes 151 dias, já são 2416h).
  • 15 kilos a menos pra carregar pra todo lado. O ponto negativo disso foi um déficit na minha balança (não podia perder o trocadilho, né!!!) financeira pois tive que comprar roupas novas.
  • 8 comprimidos de Neosaldina para acabar com a dor de cabeça no primeiro mês em que fiquei sem internet e tentava, a todo custo, resolver o problema (daí a explicação de minha ausência nas postagens em grande parte desse perído sem “posts”).
  • Apenas 1 prato de sobremesa e 1 prato de refeição quebrados na cozinha, em 5 meses de trabalho; o primeiro em horário normal de trabalho e o último durante o fim de semana passado, quando fizemos um jantar japonês, eu, Mariana, Mathieu – estagiário francês, Ervin – estagiário holandês, Yoshiko – garçonete japonesa, e Kasuma – o novo estagiário japonês (assunto que será postado posteriormente).
  • Por volta de 10 vezes já preparei o almoço de toda a equipe que trabalha no restaurante e no hotel, com destaque para o “meu arroz”, soltinho (faço um agradecimento aqui, em público, à minha avó Aparecida, à minha mãe Rogéria, à minha tia Glaucia e à minha irmã Emmanuelle, por me ensinarem como se faz um verdadeiro arroz “soltinho”). É isso mesmo, vivendo e aprendendo!!! Até a pouco tempo atrás, meu arroz era um desastre. Apesar de aqui o pessoal curtir mais o arroz tipo “japonês”, grudento e úmido (e aí faço uma homenagem ao meu pai, José Lúcio, que adora o arroz feito assim), quando fiz arroz não sobrou nem pra contar estórias...
  • 42 máquinas de roupas lavadas e 105 uniformes devidamente bem passados (uma boa dica pras solteiras de plantão, hein!!!).
  • Um punhado de Javalis vistos pelas estradas próximas (qualquer dia eu mato um deles e faço um churrasco pra galera. Ahh, se faço!!!).
  • Aproximadamente 302 cafés espressos simples (é com “s” mesmo, que significa “sob pressão”) e uns 100 duplos, pra “segurar a onda” de ter que acordar às 5:30h da manhã e trabalhar até 4 da tarde...
  • Uns 5 kilos de chocolates, frutas e sobremesas roubadas da cozinha pra Mariana. Isso foi diminuindo gradativamente a partir do momento em que Mariana achou que estava engordando. Coisas de mulher mesmo, pois continua maravilhosamente magra (colocarei fotos dela posteriormente).
  • 3 vezes mais vocabulário cotidiano. 5 vezes mais vocabulário técnico gastronômico. 17.486 vezes mais desenvoltura, afinidade e liberdade com toda a equipe de trabalho do restaurante (esse último dado também me causa certos problemas pois aqui é um tal de “passar a mão na bunda” um do outro que, quando as duas principais pessoas que fazem isso com mais frequência vão chegando perto, todo mundo em volta já fica de sobreaviso, pra não “tomar uma por trás”... hehehe... no último dia de trabalho vou tentar passar a mão na bunda do Chef Klein!!! HAUHAUAHUHAUAHUAHA...)
  • Alguns Euros “bem gastos” na minha viagem de 10 dias por Paris (será criado um “post” à parte para narrar essa minha aventura).

Modo de Preparo:

  • Misture tudo isso descrito acima.
  • Acrescente 122 dias que ainda me faltam pra completar essa “epopéia francesa”.
  • Despeje tudo em uma mala grande (máximo 32 kilos pois senão pagarei sobrepeso no chek-in do aeroporto).
  • Despache para o Brasil dia 30 de Janeiro de 2008, se possível, entre 35 e 40 graus de temperatura porque aqui já começou a esfriar e deve nevar em Dezembro.

Esse prato serve qualquer quantidade de pessoas que ainda insistem em acompanhar meus relatos, meus devaneios, minhas aventuras e minhas esperanças.

Pode ser servido a qualquer hora do dia, até o fim de Janeiro.


Bon Appétit bien sur!!!!!!!!!!

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Setembro, 30...


Para que todos vocês saibam a verdade, não falarei mais que o necessário.


Em breve, tão breve, como esse momento que já passou...

terça-feira, 26 de junho de 2007

A Transitoriedade do Permanente

Parece que quando começamos a nos acostumar com as adversidades, vem alguma força maior e nos diz: Não!!! Você já superou essa fase e aqui não existe mais nada que possa te desafiar. Foi assim que me senti, quando recebi a notícia que não mais trabalharia na Pâtisserie (que pena, hein Pierre!!!!!! Quero ver agora quem vai lavar o chão todo fim de expediente!!!)... Uma mescla de trabalho cumprido e tristeza por não mais voltar a trabalhar com aquelas pessoas.

O bom disso tudo é que coloquei na cabeça que cada dia vivenciado aqui na França será único e que devo aproveitá-lo como se fosse o último da minha jornada... (assumo que isso é um pouco difícil de aceitar e cumprir mas, com algum esforço e bastante concentração no trabalho, dá pra alimentar essa utopia momentânea...)

O que importa agora é a consciência da experiência absorvida de dois meses dentro da Pâtisserie e a certeza de que o novo desafio que virá deverá ser igualmente aproveitado. E não poderia estar melhor colocado dentro do restaurante: La Poissonnerie...

Poisson³

La Poissonnerie: Local onde são trabalhados os peixes, frutos do mar e todos os insumos relativos à essa vertente culinária. Aqui também somos responsáveis pelo mise-en-place do Garde Manger e da Cuisine Chaude. Alguns exemplos são os pré-preparos das aves, rãs, molhos à base de peixes e frutos do mar, além de toda a alimentação semanal dos funcionários do restaurante.

Só para ratificar minha felicidade no novo local de trabalho: antes, na Pâtisserie, trabalhava de Quinta à Segunda, das 9:30h da manhã até às 4:00h da tarde e de 6:30h da noite até meia-noite. Total: 60h de trabalho por semana. A folga acontecia às Terças e Quartas-feiras. Já na Poissonnerie, trabalho Quarta-feira, de 1:00h da tarde até 7:00h da noite (o restaurante está fechado nesse dia e só ficam na cozinha trabalhando eu, Cedric, que é o Chef da Poissonnerie e Thomas, um jovem estagiário) e de Quinta à Domingo, de 6:00h da manhã às 4:00h da tarde. Total: 46h de trabalho por semana. As folgas acontecem às Segundas e Terças-feiras.

Após esse preâmbulo que ilustra bem um típico trabalhador brasileiro, sempre querendo levar vantagem em tudo, posso afirmar que meu primeiro dia de trabalho na Poissonnerie foi digno de um relato detalhado.

Quarta-feira, 20 de Junho de 2007. Jamais esquecerei esta data. Começamos nosso trabalho exatamente às 13:00h (francês gosta de pontualidade, além de estar sempre tentando ser mais rápido que o próprio tempo). Descemos à câmara fria de estocagem da Peixaria, fizemos o check-list semanal e subimos com os insumos que iríamos trabalhar. Montamos a praça de trabalho e Cedric me falou: Lúcio, comece com os Pigeon (pombo). Pensei comigo: “É moleza. Corta-se a cabeça, depois os pés e, por último, separam-se as coxas do resto do corpo”.

Apêndice matemático como complementação de minha argumentação, baseada no desespero momentâneo – Foi quando me virei para trás e me deparei com 14 caixas de papelão, com 10 pombos em cada uma delas... Cedric disse: “Você tem uma hora pra fazer isso”. Fazendo um cálculo rápido, são 2,333 pombos a cada minuto, ou 7 pombos a cada 3 minutos (como queiram os que defendem a questão de não tratarmos as aves como dízimas periódicas...). Foi aí que eu tive vontade de subir pro meu quarto, arrumar as malas e voltar pro Brasil!!!!!!!!! Puta merda, limpar 140 pombos em uma hora!!!!!!!!!! Esse cara tá louco!!!!!!! Durante uns 20 segundos de infinitos cálculos matemáticos que acabaram não me levando a nada, já me vi abrindo a primeira caixa, jogando o pobre do pombo sobre a prancha e deslizando a primeira facada sobre seu pescoço. Tive a sorte, nesse momento, de olhar para o grande relógio instalado na parede da cozinha e presenciar a hora exata do início da minha própria Inquisição Columbina. “Você, pombo, não foi fiel à meus preceitos religiosos matemáticos e, por isso, merece ser decapitado o mais rápido possível, mais precisamente em 25,714 segundos”. A cada cabeça, par de pés e coxas retiradas, meu computador neural processava as informações necessárias para agilizar esse processo. Sabe-se que uma pessoa cozinhando durante uma hora gasta, em média, 220 Kcal. Na primeira meia hora de trabalho eu, seguramente, já tinha gasto umas 500 Kcal, tal pelo esforço físico como pelo mental... A primeira hora se passou e eu já havia feito por volta de 80% do serviço... Cedric apenas olhou a situação e continuou fazendo seu trabalho. Eu, agora desafiado pelo rompimento da barreira que me foi imposta e imprimindo um ritmo de uma progressão aritmética, finalizei tudo em 1h e 07min.

Apesar de não ter obtido êxito na tarefa que me foi passada, senti-me realizado por tê-la feito quase no tempo (afinal de contas, o que são 07min a mais!!!). Cedric, calmamente, disse-me: “Lúcio, essa é sua primeira semana de trabalho; isso é normal. Na próxima, com certeza, sei que você será mais ágil nas tarefas. Quarta-feira que vem você conseguirá fazer em 50 MINUTOS... Eu, fatigado e com as mãos sujas de sangue, tive vontade de rir nesse momento!!! Apenas tive vontade porque o dia seguiu no mesmo ritmo frenético da primeira hora de trabalho e eu consegui sair vivo dele, afinal de contas não sou e nunca serei um pigeon de 25,714 segundos; dá próxima vez, terei que sê-lo de 21,428 segundos...

A semana passou numa velocidade compatível com o frenetismo francês. As ressalvas a serem comentadas, en passant, são as técnicas de cozimento, limpeza e cortes do Homard (lagosta especial da costa Bretã e considerada um dos frutos do mar mais saborosos) e também as técnicas de trabalho com trufas negras. Como não tive oportunidade de fotografar tudo isso, o assunto será detalhado na postagem da próxima semana...
A lição que tiro dessa semana e que repasso a todos vocês que me lêem é que: “enquanto o esforço é reconhecido, tenha certeza que o que faz é correto e no tempo exato”, afinal de contas, Ad impossibilia nemo tenetur ou, em bom português, ninguém é obrigado a fazer o impossível...

Receitas 03

021 - GLACE AMANDE

8L lait
1,2L crème
600g sucre semoule
12 jaunes d’oeufs
600g pâte d’amande
270g trimoline
300g poudre de lait
30 gouttes d’amande amère


022 - GLACE BASILIC

1,2Kg sucre semoule
350g basilic efeuillé
300g poudre de lait
500g glucose atomisé
400g jaunes d’oeufs
50g crémodent
300g beurre
6L lait
1L crème

Mixer le sucre et basilic au pacojet pour garder la couleur
Bouillir lait, crème, beurre, crèmodent, poudre de lait
Ajouter le mélange sucre basilic
Débarrasser et ajouter les jaunes d’oeufs
Bloquer, turbiner


023 - GLACE ORANGE

1L jus d’orange
50cL crème
12 jaunes d’oeufs
150g sucre semoule


024 - GLAÇE POTIRON

2,5Kg purée de potiron
1,25Kg creme fluide
2L lait
1,5Kg sucre
60 jaunes d’oeufs (1Kg)
10 gousses de vanille

Confectioner une crème anglaise at ajouter la purée à la fin


025 - GLACE SÉSAME NOISETTE

50cL lait
5cL crème
25g poudre lait
25g glucose
125g sucre semoule
30g beurre
50g pralin
70g pralin maison
10g sesame blanc
50g huile de sésame


026 - GLACE VANILLE

1L crème
1L lait
360g jaunes d’oeufs
3 gousses vanilla tahité
400g sucre semoule

Effectuer une crème anglaise
Laisser maturer un jour
Passer, bloquer, turbiner


027 - GRAINE DE COURGE OU TOURNESOL

300g de sucre
PM eau
1Kg graine

Faire un sirop avec le sucre e l’eau
Ajouter les graines, bien faire sécher et gonfler puis caramelize toujours en remuant
Débrasser sur papier sulfurisé et saler aussi tôt
Débarasser en boît hermétique


028 - GUIMAUVE

1)
100g glucose
300g eau
1Kg sucre semoule
500g blancs d’oeufs

2)
10 gouttes fleur d’oranger
2 pipettes colorant jaune oeuf

Cuire 1 à 130C
Batter les blancs d’oeufs à 115C
Verser le sirop sur les blancs
Ajouter la gélatine fondu dans la casserole du sirop, la fleur d’oranges et le colorant, une fois tiède, dresser à la poche et saupoudrer de codinège
Se conserve ¾ jour en boite hermétique


029 - HUILE DE VANILLE

1L huile d’olive
3 gousses vanille


030 - JUS À LA VANILLE

2 gousses de vanilla
80g sucre semoule
10g fécule pomme de terre
40cL eau

Cocotter les gousses
Mélanger fécule + sucre
Ajouter l’eau et bouillir
Ajouter les gousses et bouillir à nouveau 2min
Passer

A New Man - A Bald Man...

O upgrade mental também repercutiu no lado físico: um novo visual para um novo momento...

l'Arnsbourg Futebol Club 2


Mais um jogo de futebol entre o Restaurante l’Arnsbourg e o Restaurante l’Auberge de Lill. Desta vez, eles venceram no tempo normal por 9 x 6 (placar de jogo de várzea mesmo, né!!!!!!! Pelo amor de Deus, foi difícil assistir à partida). Eu não joguei desta vez porque a CBF não me liberou para a partida; acho que por isso perdemos o jogo...

À La Table, S'il Vous Plaît!!!




Essas fotos são em homenagem à minha professora de Eventos Sociais, Cláudia Porto. Mesmo em um almoço informal entre os funcionários daqui e do Restaurante l’Auberge de Lill, acontecido hoje aqui no Restaurante l’Arnsbourg, a mesa foi devidamente posta, para que todos nós sentíssemos, mesmo que por uma tarde, o que a boa gastronomia nos tem a oferecer!!! O prazer de se sentar em uma mesa começa com a degustação visual daquilo que o rodeia...

Detalhes 1...


Cadeira com estofado mostrando o símbolo maior da França (e por que não de Minas!!!): Le Coq...

Detalhes 2...


Arranjo floral e velas sobre mesa de canto...

Detalhes 3...


Vaso ornamental de canto...

Detalhes 4...


Luminária de Centro...

Detalhes 5...


Armário utilizado como Porta-Casacos...

Detalhes 6...


Luminária de Cristal Alsaciano...

Detalhes 7...

Arranjo floral de centro de mesa...

Paella!!!


O prato principal do almoço de confraternização hoje...

Chef Yohan


Esse é o Chef de Pâtisserie, Yohan, com o qual eu trabalhei por dois meses; muito “gente fina”, por sinal...

quarta-feira, 20 de junho de 2007

fora do ar...

Para você, que agora me lê, uma informação: devido a uma transitoriedade de acontecimentos, responsáveis por mudanças no local e no horário do meu trabalho, resolvi fazer uma manutenção preventiva em minha mente. Portanto, esta semana, não haverá postagem significativa (salvo as receitas, as quais eu havia prometido). No mais tardar, segunda-feira, dia 25 de Junho, poderão desfrutar novamente de meus devaneios em terras Napoleônicas... Boas novas virão, podem ter certeza!!! Um abraço...

Receitas 02

011 - CRUMBLE COCO

250g beurre
250g sucre semoule
250g farine
185g poudre de coco

Emitter et cuire à 180C


012 - FINANCIER BANANE

2Kg pâte d’amande
200g de beurre de cacahuête
8 gousse vanille
800g oeuf entier
160g jaune d’oeufs
240g farine
400g beurre fondu froid
PM banane fraîche

Ramollir pâte d’amande, beurre de cacahuête et beurre fondu froid (mixer)
Mélanger avec tout les autres ingrédients
Laisser reposer ½ journée
Disposer ¼ de rondelle de banane et cuire environ 5min à 150C


013 - FINANCIER PISTACHE

1)
2Kg pâte d’amande
300g pâte à pistache
300g poudre de pistache ou pistache haché

2)
800g oeuf entier
160g jaune d’oeufs
240g farine
400g beurre

Mélanger 1 au batteur à la feuille
Ajouter les oeufs doucement
Ajouter la farine puis le beurre pommade
Cuire en caissette jetable à 160C pour 8min


014 - GANACHE CHICORÉE

300g chocolat 70%
30cL crème fraîche
25g beurre
PM chicorée liquide


015 - GANACHE HUILE D’OLIVE

120g crème
½ gousse vanille
180g huile d’olive
270g chocolat blanc

Faire un ganache et la monter à l’huile d’olive


016 - GATEAU CHICORÉE NOISETTE

BISCUIT NOISETTE (une plaque 40-60cm cuite en cadre)

400g praline
4 oeufs
40g farine
160g sucre glace
8 blancs d’oeufs

Monter praline et oeufs
Ajouter farine
Monter les blancs et sevrer au sucre
Cuisson 15min à 189C

MOUSSE CHICORÉE

150g praline
100g beurre
100g ivoire
600g crème
40g extrait chicorée

Émulsioner praline et beurre
Incorporer la couverture blanc tiède
Finir avec le crème fouettée et l’extrait de chicorée
Dresser dès que la crème est pochable
Monter, filmer, frigo


_______________________ biscuit

XXXXXXXXXXXX creme

_______________________ biscuit

XXXXXXXXXXXX creme

_______________________ biscuit

XXXXXXXXXXXX creme

_______________________ biscuit


017 - GELÉE DE FRUITS ROUGE POUR BÛCHE

3Kg mélange fruit rouge congelé
1Kg sucre semoule
2L eau
100g citron jus
1Kg pulpe fraise
142g gélatine


018 - GELÉE DE RHUM

1L rhum brun
250g sucre semoule
15 feulles gélatines (30g)


019 - GELÉE DE SUCRE

4L eau
1,4Kg sucre muscovade
90g gélatine

Bouillir, couler, refroidir (assiette creuse) + sorbet yaourt, caramel passion, tuile cacao


020 - GLAÇAGE CHOCOLAT

800g chocolat couverture 70%
400g pâte à glacer
2Kg crème liquide
1,6Kg sirop à 30B
400g glucose

Tout faire cuire ensemble

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Déjeuner chez Michel...




Terça-feira passada, dia 06 de Junho, eu e Mariana fomos almoçar na casa do Sub-Chef de Cozinha, Michel. Ao lado dele, sua namorada Yoshiko, japonesa que trabalha há 4 anos aqui no restaurante. Comemos de entrada melão com presunto de parma; depois, uma salada de tomates e cogumelos frescos e, como prato principal, penne ao molho de funghi e abobrinha e salmão grelhado... Tava baum, viu!!!

Eu...



Pois é, pra quem andava reclamando que eu não postava fotos minhas, aí vão duas de uma vez só...

Experiências na Pâtisserie

Enfim, comecei a trabalhar dia 10 de Maio, no Restaurante l’Arnsbourg, do Chef Jean-Georges Klein, 3 Estrelas no Guia Michelin. E, pra começar com o pé direito, o Chef Klein mandou que eu iniciasse na Pâtisserie (setor no qual são elaboradas as entradas e sobremesas), praça na qual eu mais me identifico na cozinha...
Por mais paradoxal que isso seja, o primeiro serviço que me deram foi cortar duas cebolas. Tive vontade de rir e perguntar ao rapaz que me orientava o por quê de cebolas. Estava ali pelos chocolates, favas de baunilha, açúcares diversos, caldas, cremes, chantilys, reduções, etc., mas foram as cebolas que me fizeram chorar pela primeira vez na França, e ainda por cima na frente do jovem francês que, é claro, começou a rir da situação...
Os primeiros dias de trabalho foram muito duros pra mim. Um país novo, uma língua nova, um povo desconhecido, sem internet por mais de um mês (só consegui resolver meu problema de Wireless semana passada), sem telefone (quando preciso telefonar, tenho que andar 1h até o vilarejo mais próximo. Se bem que isso já mudou porque agora descobri uma bicicleta no restaurante... hehehe).
Além da necessidade de ter que compreender o que eles dizem (e o fazem rapidamente, ao ponto de eu ter que pronunciar a frase “pardon, pas compris – desculpa, não entendi” pelo menos umas 10 vezes ao dia durante uns 10 dias), eu não conseguia deglutir a maneira arrogante e impessoal de convivência dos franceses no ambiente de trabalho. E esse contexto se torna mais evidente quando se trata de um estrangeiro trabalhando no ambiente deles (pra piorar mais ainda, trata-se de um brasileiro, alvo de piadinhas e preconceitos desnecessários aos meus ouvidos). Mas, como já estou calejado por experiências anteriores em outros restaurantes brasileiros (não importa o lugar do mundo em que você trabalhe na Gastronomia, você sempre irá sofrer a cada início de um novo trabalho), consegui superar essa barreira!!!
Aqui na França, como já tinha sido avisado e agora pude vivenciar, os profissionais da cozinha são extremamente rigorosos com relação ao trabalho. A partir do momento em que você entra na cozinha, até a hora do fim do expediente, você não pode ficar parado um minuto. Se não houver nada para fazer, aumente o estoque de produtos e do Mise en Place (preparação antecipada de todos os ingredientes, utensílios e equipamentos necessários para a confecção e finalização de receitas e pratos, em um dado instante do trabalho) para os dias que virão; mas nada de ficar de braços cruzados.
Eu explico isso pelo fato do Restaurante l’Arnsbourg trabalhar de um modo diferente dos restaurantes brasileiros. A casa só trabalha com reservas. Nem adianta aparecer por aqui querendo “fazer uma boquinha”, ou pelo simples fato de passar na porta e resolver entrar pra almoçar ou jantar. Não come mesmo!!! Desse modo, sabemos exatamente quantas pessoas irão freqüentar o restaurante diariamente e, portanto, podemos preparar o mise en place com eficiência e agilidade.
Outro ponto interessante da casa é que, além do cardápio normal, nós trabalhamos com dois Menus Degustação (mais informações no site: http://www.arnsbourg.com/). E afirmo com segurança que os dois Menus são responsáveis por mais ou menos 95% das vendas do restaurante.

O Local de Trabalho



A Pâtisserie daqui é dividida em duas praças de trabalho. Eu comecei a trabalhar na praça que confecciona toda a base para as receitas relativas às entradas e sobremesas, localizada nos fundos do restaurante. Nela trabalham o Chef Pâtissier Yohan e dois garotos, mas muito bons de trabalho, Jeremy e Löic.

O Chef Yohan é casado com uma Argentina, então ficou mais fácil de nos entendermos, pois quando não compreendia o que dizia em francês ele mandava em espanhol mesmo!!! Trabalhei nessa praça nas três primeiras semanas. Hoje trabalho na outra que descreverei a seguir.
A outra praça está situada na frente de trabalho, ao lado do Garde Manger e da Cozinha Quente. É nesse local que são feitas as entradas quentes e frias, servidas no início dos Menus. É aí também que são finalizadas as sobremesas que vêm da outra Pâtisserie. Nesse local trabalha apenas o Pierre, que é quem me dá todas as ordens e foi quem me deu as cebolas pra eu cortar no primeiro dia de trabalho...


O Pierre tem um grave problema que eu tento corrigi-lo antes de sair da Pâtisserie e ir pra outra praça de trabalho: ele acha que eu sou francês e sempre conversa comigo na velocidade da luz. E como, às vezes, eu não consigo entendê-lo, o filho-da-mãe fica irritado comigo e me xinga de tudo quanto é nome!!! Eu conto até 10, respiro fundo e continuo meu trabalho como se nada tivesse acontecido... Agora o que mais me incomoda nele é que ele acha que é o rei da cocada preta e tenta de todas as formas me sacanear, mas to sabendo como me desviar dele. Como já sei fazer todas as tarefas do local, tento fazê-las o mais rápido possível e sem erros para que ele não tenha argumentos para me tolhir.


Por enquanto, essa é a cruz que carrego diariamente aqui na França, mas sei que ainda virão muitas outras...

A Rotina

Fui muito bem recebido pelo Chef Klein, sua esposa e todos da equipe da cozinha e do salão. Como já haviam trabalhado aqui dois brasileiros, um em 2005 e outro em 2006, eu passei desapercebido (com exceção das piadinhas que serão eternas com qualquer um que não seja francês).

A primeira semana foi de conhecimento e muita observação, mas não faltaram os momentos de desespero, tanto na língua quanto na infinidade de pensamentos que fritavam minha mente, à respeito de tudo e de todos... Logo nos primeiros dias, além dos trabalhos básicos de qualquer estagiário, como lavar tudo inclusive o chão no final do expediente, retirar o lixo e lavar os carrinhos de lixo uma vez por semana (serviços os quais eles fariam se não existisse alguém novo e de fora para fazê-los), já recebia ordens de fazer algumas receitas e finalizar alguns pratos na Pâtisserie... Fiquei bastante empolgado!!!

Cada dia era uma informação nova que surgia no trabalho e eu fazia o máximo de esforço para guardá-la na mente. Quando meu estado físico extrapolava a quantidade de informações recebidas, as anotações no final do expediente eram inevitáveis, até pelo fato de que, da próxima vez em que me fosse pedido algo, eu estivesse pronto para atendê-los da melhor forma possível. Hoje, 35 dias corridos e 25 trabalhados, posso dizer que já me encontro enraizado na rotina do restaurante l’Arnsbourg. Conheço todo o trabalho da Pâtisserie e o faço sem problema algum. Mas ainda me faltam muitas informações sobre algumas receitas. Se não me forem passadas, pedirei para ao Chef Yohan que as me passe. Conversei com ele sábado passado sobre meu desejo de trabalhar em todas as praças da cozinha, até o fim do ano e ele disse que apoiava totalmente minha vontade. Afirmou também que eu deva ficar por mais um mês na Pâtisserie. É o tempo que eu preciso para terminar de catalogar as receitas de Pâtisserie que encontram-se em vários cadernos. Já consegui arquivar em meu notebook 88 receitas, todas em francês, é claro...

Um Presente Para Vocês

Em homenagem a todos vocês que visitaram e continuarão freqüentando meu Blog, passo, à partir de hoje, a presenteá-los com as receitas daqui que eu achar mais importantes e, é claro, gostosas...

Começarei, é claro, com as receitas de sobremesas. Postarei 10 nessa semana para que vocês possam anotá-las. Todas elas estarão em francês, pelo simples fato de eu não ter tempo disponível de digitá-las e ainda traduzi-las para o português... é só pegar um tradutor on-line que vocês conseguirão entendê-las. Qualquer dúvida é só postar que eu respondo, sem problemas...

001 - BABA

1) À la feuille au batteur

400g farine
4g sel
140g beurre
17g levure
17g miel

2) Ajouter

500g oeufs

Laisser pousser, couper et mettre en moule. Pousser et cuire à 200 C pour 15 minutes.
27g pour moule.


002 - BAVAROISE BAILEY’S

250g lait
70g sucre semoule
2 jaunes d’oeufs
8g gélatine feuilles
250g crème fouettée
200g bayley’s

Confectioner une crème anglaise
Refroidir à 10C puis ajouter la creme fouettée


003 - BISCUIT AMANDE DUCASSE

900g tant pour tant
210g jaune d’oeufs
375g oeuf entire
825g blancs d’oeufs
300g sucre semoule
360g farine

Monter au fouet tant pour tant + oeuf entire + jaune d’oeuf
Ajouter les blancs, monter en neige avec le sucre délicatement
Ajouter la farine délicatement


004 - BONBON CHOCOLAT EUCALYPTUS

1400g chocolat 70%
1550g chocolat lait 37%
175g trimoline
175g beurre
1,5L crème liquide
125g eucalyptus

Confectioner une ganache
Infuser 15min l’eucalyptus
Couler en plaque 40-60cm


005 - BONBON CHOCOLAT SÉCHOUAN

1)
2400G crème
600g miel

2)
120g poivre de séchouan

3)
1950g chocolat couverture 70%

4)
400g beurre

Feire bouillir 1
Ajouter 2 et laisser infuser filmer 15 minutes
Refaire bouillir et passer à l’etamine direct sur la couverture
Incorporer le beurre et couler em plaque 40-60cm avec silpat
Détailler em cube 1,5cm.


006 - CARAMEL CITRON GRUÉ DE CACAO

500g beurre cacao
2Kg sucre semoule
60cL jus de citron
1,4Kg chocolat blanc 29%
150g grué de cacao

Cuire jus + sucre + beurre à 120C
Hors du feu, ajouter le chocolat blanc, beurre de cacao et grué de cacao


007 - CARAMEL NOISETTE

1)
1250g crème
1Kg glucose
90g sucre semoule
180g trimoline

2)
140g amande concassée torréfié
60g beurre
900g chocolat au lait

Cuire 1
Ajouter 2 en 1 et couler en cadre 30-40cm


008 - CARAMEL SALÉ

1)
2Kg sucre semoule
300g glucose
50cL eau

2)
1L crème
1,6Kg beurre demi-sel

3)
25g fleur de sel

Cuire 1 à 135C
Faire fondre et bouillir 2
Ajouter 2 en 1 e cuire à 116C
Ajouter la fleur de sele et débarrasser dans une plaque haute 40-60C avec papier sulfurisé au fond


009 - CHOCOLAT BONBON ANIS CAFÉ

1)
1240g chocolat couverture 70%
1240g chocolat au lait 37%

2)
140g trimoline
1400-2000g crème

3)
200g café
32g anis étoilé

4)
140g beurre

Feire foundre 1
Mixer finement 3
Faire bouillir 2 avec 3 et laisser infuser 15 minutes
Passer, ajouter le crème evaporée, refaire bouillir et verser sur le chocolat fondu
Incorporer le beurre (peut-être utiliser le thermomix) et couler dans une plaque 40-60cm
Detailer et rouler au cacao


010 - CRÈME GLACÉE AU POIVRE DE SÉCHOUAN

1Kg fromage blanc
1,3Kg eau
400g sucre semoule
200g trimoline
7g stabilisateur
20g poivre séchouan

Infuser le poivre dans le sirop 15min
Passer, ajouter le fromage blanc
Bloquer, pacosser

l’Arnsbourg Futebol Club


Da esquerda pra direita, em pé : Geremy, Pascal, Louis, Christoffer e Pierre. Agachados : Eu, Thomas e Löic.



Dia 22 de Maio nossa equipe de cozinha foi jogar futebol contra a equipe de outro restaurante 3 Estrelas Michelan, situado à mais ou menos uma hora de carro daqui. O outro restaurante se chama l’Auberge de Lill, do Chef Marc Haeberlin (veja mais no site: http://www.auberge-de-l-ill.com/ ). Esse restaurante conquistou a terceira estrela em 1967, ou seja, há 40 anos, e só fica atrás, em termos de tempo, do restaurante L'Auberge du Pont de Collonges, do Chef Paul Bocuse, que conquistou a terceira estrela em 1965. (veja mais no site : http://www.bocuse.fr/restaurant/default.htm ).

Eu não estava muito afim de jogar, mesmo porque todos que me conhecem sabem que nunca fui de jogar bola (a única bola com a qual tenho extrema intimidade é a da sinuca e, modéstia à parte, jogo muito. Fabrício Maia, Sérgio Grossi, Brúcio Figueiredo, Felipe Jorge e André Soares e muitos outros fregueses podem confirmar essa minha habilidade... hehehehe).

Voltando ao jogo de futebol, em meio aos pedidos do pessoal e para não deixá-los frustrados, resolvi jogar... como não sou um Ronaldinho e sou mais humilde que Romário, aceitei prontamente em começar no banco de reservas.

Eu deveria ter filmado a partida !!! Foi emoção pura !!! Digo isso por dois motivos :
- Primeiro porque foi mais um momento que se poderia enquadrar como uma vídeo cassetada, pelo fato das duas equipes serem ruins demais (e nesse momento eu me tornaria o Ronaldinho dentre todos eles)... Eu acabei entrando nos 3 tempos e tive uma atuação discreta, levando-se em consideração que joguem de lateral esquerdo que avançava até o meio do campo. Não comprometi, mas também não marquei gol.
- Segundo pelo andamento da partida. Aqui eles jogam 3 tempos de 30 minutos cada, com 6 jogadores em campo. Resultado do tempo normal : 7 a 7... hehehe... O que fazer então !!! Ir para os pênaltis !!! depois de escolhidos os 5 primeiros batedores (e é claro que eu não estava na relação), fomo aos pênaltis :
- 1 x 0 pra nós
- 1 x 1 empataram
- 2 x 1 pra nós
- 2 x 2 empataram
- Perdemos o terceiro pênalti
- 2 x 3 pra eles
- 3 x 3 empatamos
- Perderam o quarto pênalti
- 4 x 3 pra nós
- 4 x 4 empataram
- Aí começaram as cobranças alternadas (pra quem não entende de disputa de pênaltis, depois dos 5 pênaltis batidos e as duas equipes empatarem nos gols, segue-se em cobranças alternadas. Se uma equipe marcar e a outra perder o pênalti, a disputa acaba com a vitória pra quem marcou o gol)
- Foi aí que a estrela do Brasil brilhou em terras francesas. Mais que depressa, peguei a bola e disse que iria bater o pênalti. Com segurança, ajeitei a bola na marca da cal, dei 3 passos para trás, olhei nos olhos do goleiro por uns 2 segundos, depois olhei rapidamente o ângulo direito dele para tentar mostrá-lo onde iria bater, corri olhando para a bola e chutei, rasteiro, no canto esquerdo dele... Coitado do goleiro, nem saiu na foto. Ele pulou com tanta vontade no canto direito que quase beijou a trave... após o gol, tirei a camisa do restaurante e mostrei a do Brasil, que estava debaixo !!! Acho que nem o pessoal da minha equipe gostou do fato, mas eu me diverti com a situação !!!
- Como eu já esperava, o jogador da equipe adversária, com a necessidade de marcar para empatar a série, deu um cacete na bola, errando o gol por pelo menos uns 2 metros...


Ae, foi só alegria !!! l’Arnsbourg Futebol Club vence nos pênaltis a equipe do l’Aberge de Lill, na casa deles e, ainda por cima, com pênalti de brasileiro no final...


Depois da peleja, fomos almoçar no restaurante homônimo. E que restaurante !!! pena que ainda não tenha disponíveis as fotos para mostrá-los o local, mas o site supracitado pode fazê-lo bem. Uma maravilha de lugar. O Chef Haeberlin também mostrou-se bastante cordial e, para minha surpresa, ao final do repasto, fui presenteado com um cardápio da casa, autografado por ele.
E, para deixar vários enófilos e enólogos com inveja, conheci o Sommelier do restaurante : nada mais nada menos que Serge Dubs, um dos maiores conhecedores de vinho do mundo e melhor Sommelier do mundo em 1989 (mais informações no site : http://www.sommellerie-internationale.com/index.php?id=86&L=1 ).

Fois Gras


Esse alimento está enquadrado naquele grupo no qual se pode pronunciar a famosa frase : ‘Ame-o ou o odeie’. Pra ser bastante sintético, é fígado de pato ou de ganso. Essas aves são confinadas e, com um tubo que se introduz na boca e vai até o estômago, são forçosamente engordadas. Isso faz com que o fígado delas cresça enormemente (veja mais no site

A foto acima reflete um momento pessoal de exarcebação da Gula, o sexto dos 7 pecados capitais, em ordem decrescente de gravidade, segundo alguns teólogos que reformularam a lista no século XVII, como Tomás de Aquino.

Comprei em Baerenthal (o vilarejo mais perto daqui) 150g de patê de Fois Gras. Detalhe : 01Kg de patê custava 10 Euros, cerca de 29 Reais. No Brasil, dependendo do produto, pode chegar a mais de 1.000 reais o Kg, ou até mais...

Peguei um pão e, delicadamente, deitei a fatia de 150g de patê. Não precisava de mais nenhum ingrediente. Meu jantar já estava completo. E, com o maior prazer do mundo, degustei tudo calmamente, sem pressa de terminar... Ave, Fois Gras... Ave, França !!!


terça-feira, 22 de maio de 2007

Toca da Raposa na França

Oia gente, aqui também tem Toca da Raposa!!!

Baerenthal


Uma foto da pequena cidade, a mais proxima de onde estamos. Uma hora e meia de caminhada por um telefone publico!!! Eita coisa de louco!!!

Trilhas



Nossa moradia fica perto de varias cidadezinhas, situadas entre 5 e 30 Km de onde estamos; ao longo das estradas existentes, surgem inumeras trilhas, como essa que entrei... muito lindo o local, extremamante calmo e impossivel de relatar em foto!!!

Hotel K








Uma pequena amostra do que é o Hotel K... Quando tiver acesso, mostrarei o interior dele... Arquitetura maravilhosa em harmonia com o entorno. Fantástico...